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O Apocalipse (palavra grega que significa revelação) é obra do Apóstolo João, obra que vem dia a após dia sendo estudada, e a cada dia comprovado que os fatos ali narrados já aconteceram, outros estão por acontecer, João  o escreveu no fim de sua vida, pelo ano 100, sob a forma de uma carta dirigida às Igrejas da Ásia Menor.

O Apocalipse  foi sempre considerado pela Igreja como um livro profético.

Este livro é considerado pela maioria dos leitores como o mais difícil de compreender e o mais misterioso de toda a Bíblia. Ele é, com efeito, bastante enigmático, mas sua interpretação pode tornar-se mais clara, se se levar em conta, de uma parte, o gênero literário utilizado pelo autor, e de outra, a circunstância em que a obra foi escrita.

A situação dos cristãos da Ásia era, naquela época, das mais críticas. As perseguições tinham começado. Por outro lado, muitos cristãos, que delas esperavam uma próxima libertação pelo retorno glorioso do Cristo, verificavam com tristeza que este retorno demorava e o que o seu termo era quase indefinidamente adiado. Tomados de angústia, eles começavam a desesperar de encontrarem um dia a independência religiosa.

O Apóstolo João, fazendo de seu livro uma mensagem de reconforto e de encorajamento, e ao mesmo tempo um manifesto contra o paganismo reinante, quer anunciar aos seus leitores a inevitável oposição o mal e do bem sobre a terra, e predizer a vitória de Deus, decisiva e certa, embora realizada no sofrimento e na morte. Para este fim, ele lança mão de um recurso literário muito usado entre os judeus desde há dois séculos aproximadamente, do qual se pode ver um exemplo no livro de Daniel. Este gênero literário foi chamado gênero apocalíptico, porque ele apresenta aos olhos do leitor uma série de visões, ou revelações muito simbólicas, tendo um sentido oculto. Estas visões se supõem outorgadas a um personagem que,  desta maneira, recebe comunicação das intenções divinas sobre os destinos do mundo. Não é, pois, de admirar que as coisas não sejam anunciadas de modo claro, mas por meio de visões e símbolos, como se nota em Ezequiel e em outros profetas.

A sua leitura será menos desconcertante, se desde o começo for indicado o simbolismo de várias dessas imagens empregadas, por exemplo:

O Cordeiro simboliza o Cristo; a mulher, a Igreja Cristã; o dragão, as forças hostis ao reino de Deus; as duas feras (Cap. 13), o império romano e o culto imperial; a fera (Cap. 17) simboliza Nero; Babilônia, a Roma pagã; as vestes brancas, a vitória; o número 3 1/2, coisa nefasta ou caduca.

Entretanto, esses símbolos não são exclusivos: o Cristo é às vezes figurado como o “Filho do Homem” ou “cativeiro”.

O Apocalipse não deve portanto ser tomado como uma história contemporânea escrita no “tempo futuro” (verbo); ele não é tampouco uma revelação clara e definitiva do futuro: - é uma mensagem sobrenatural (velada sob símbolos, representando tanto o passado, como o presente e o futuro) concernente a um período indefinido que separa a ascensão de Jesus de sua volta gloriosa. Ele anuncia aos fiéis a impossibilidade de escapar à luta e ao sofrimento, às perseguições e ao fracasso aparente no plano terrestre, à realidade da salvação que lhe será concedida no meio de suas obrigações, à vitória final, obra de Cristo ressuscitado que venceu a morte.

Compõe-se de um Prólogo (1:1-8), de um Epílogo (22:6-21) e de Três Partes:

Primeira Parte:  

(1:9—3:22). Aparece Jesus Cristo, que encarrega São João de escrever a sua mensagem às sete Igrejas da Ásia Menor (Éfeso,  Smirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodicéia). Seguem as cartas.

     
Segunda Parte:   (4:1—20:10). Contém cinco séries de visões imaginativas (mentais-simbólicas) a seguir: 

I.

 

  Sete Selos (4:5—8:5): conquista, guerra, fome, morte, martírios, catástrofe e turíbulo de ouro.
II.   Sete Trombetas (8:6—11:19): chuva de granizo e fogo, mar de sangue, astros, absinto, eclipse, gafanhotos, cavalaria, hino celeste.
III.

 

  Sete Sinais (12:1—15:4): o dragão e a mulher, a besta da terra, a besta do mar, sinal dos maus, sinal dos bons, presságio do fim e do juízo.
IV.    Sete Cálices (15:5—16:21): derramados sobre a terra, sobre o mar, nos rios, sobre o trono da besta, no Eufrates e no ar.
V.   Luta entre Cristo e o demônio (17:1—20:10): destruição de Babilônia, lamentada na terra e festejada no céu; vitória de Cristo sobre a besta, sobre o falso profeta, luta nos séculos e vitória final contra o demônio.
     

Terceira Parte:

  (30:10—22:5): o Juízo final, novos céus e nova terra, a celeste Jerusalém, glória dos santos no Paraíso.

Tivemos auxílio da Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria e Editora Paulinas, para fazermos esta apresentação.

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